Há momentos em que parto para não sei onde. Navegação espirutual. Ou dispersão na terra abstracta, a única que se vê quando não se vê.
Cão Como Nós
Manuel Alegre (O Poeta da trova do vento que passa)
O Presidente da República ao seu estilo, pediu várias vezes o devido respeito pelos titulares de cargos políticos, onde salientou estar gente de bem. E eu até concordo, não se deve cometer o erro de juntar todos no mesmo saco. Mas parece que os políticos não ouvem. Esta agora. Então não é a que deputada Maria Elisa, depois de ser nomeada conselheira cultural na capital britânica ainda está a ponderar a sua permanência no parlamento como nos informar o Expresso deste fim-de-semana. É inacreditável, depois do escândalo, que foi a tentativa da sua permanência na RTP, a deputada ainda vai acabar por perder o mandato, ao que parece é muito doloroso decidir o que quer fazer e renunciar ao mandato é muito mais doloroso. Olho em redor, e pergunto: - que conselheira esta heim...
Naquela noite o que me chamou a atenção foram os pés descalços que descansavam sob o cartão frio e não o sofrimento a que estou habituado a ver estampado nos rostos que se cruzam todas as noites. Na verdade um pouco mais tarde ainda ali estava. As palavras entorpecidas, quase não chegavam ao seu destino, estava frio, ir embora não dependia de mim, nunca sabemos quando partimos. Até que de repente num tom belicoso, se ouve: -Estou farto de esperar... não diga mais o meu nome homem de deus. Disse um deles em discurso directo. E continua -A minha alma assim não consegue encontrar sossego.
Cada noite torna-se diferente, no burgo aos encontrões ofereço as minhas palavras a homens e mulheres, pois mais nada posso oferecer, não é permitido. Na rua as palavras bem ditas não têm valor.
Cada um de nós vive preocupado numa luta constante contra a negra sombra misteriosa, a inquietação precisa das noites brancas. As interrogações sobre cada noite, sobre cada estória surgem pouco tempo depois, já no consolo do lar, marcadas de uma necessidade, de um fazer, de uma vontade que arrasta imagens e consigo a turbulência dos afectos. Cada um de nós procura assim o desejo de uma vida mais intensa.
«as borboletas continuam a dançar no centro da clareira» in ....
Cada procura transforma-nos mas não transforma as borboletas, porque para estas a metamorfose não lhes diz nada. Vivem a mudança despreocupadas de tudo só lhes preocupa o alimento. Cada flor, para uma borboleta é sinónimo de vida, para uma pessoa uma flor é uma linha direita. Somos reféns de um estilo mundano, para que servem as palavras se não nos interrogarmos...
…a água como bem essencial à sobrevivência do homem....
A roda livre deixa-nos alarmados, até pode ser natural. Mas o que ficamos alarmados?! Consequências da época da grafonola e das histórias do repórter x, dos projectos de revista, não daquela que nos faz rir, a cada dia que passa sou obrigado a assistir a desfiles carnavalescos.
O esperado regresso a casa, a base, as origens, o nosso melhor abrigo, estar longe desorienta-me para que possa novamente voltar a sentir-me orientado.
Esta pedra é para dizer das imagens ferozes que se vão acumulando em nós, é para falar da rua, e dentro dela, de um olhar sobre os sem abrigo.
É ainda, para exprimir a tempestade do tamanho do medo, essa poderosa metáfora do anseio de encontro que nunca sara.
Um belo dia acordamos e zás, fomos contaminados pela ternura do mundo, uma corrente interna desprende-se. A princípio é assustador, tudo ganha dimensões imprevistas, já nada é como outrora. A solidão enleia-se com caricias perturbadors o bafo forte, de uma estranheza com entranhas humanas, é pela primeira vez percepcionado. O mundo transforma-se em cinco dedos numa mão de sentidos.
A Europa jaz, posta nos cotovelos
De oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
O DOS CASTELOS
MENSAGEM
Fernando Pessoa
Neste instante apenas eu decidi ficar acordado. A máquina (computador) já me conhece, sabe quanto tempo vamos ficar a conversar. A cada hora preenchida aumenta a escala de cumplicidades. Os dedos caminham com afecto em direcção ao teclado conhecido. É o olhar que me diz. De quando em vez falamos através do olhar. O tempo vem-me lembrar que não me posso atrasar.
O Primeiro-ministro (PM) do Governo Português, Dr. Durão Barroso conseguiu em tão pouco tempo (o da sua governação) entrar para a história do recém-nascido sec. XXI fazendo parte daquela que se pode considerar a mentira rainha de todas as mentiras. PORTUGAL segue assim uma política tendencialmente mentirosa, que cede aos interesses da conjuntura. Infelizmente para nós portugueses, o PM não teve a coragem politica que no passado outros governantes tiveram, foi atrás dos nossos vizinhos espanhóis e deixou-se intimidar pelos nossos amigos americanos e britânicos (estes últimos mais conhecidos como os amigos de Peniche). Perdeu-se assim a oportunidade de afirmação do estado democrático português no seio da União Europeia. O PM diz-nos agora que não pode ser culpado porque acreditou, com base nos relatórios apresentados, que existiam armas de destruição maciça no Iraque. É insidioso dizer que a culpa é dos relatórios, só porque estes eram confusos (estavam escritos em Português).
Existe ainda espaço para a dúvida? O PM não pode dizer que não participou na mentira. O que falta saber é se o PM embarcou na onda ou se nos enganou a todos. Quem é o mais mentiroso afinal de contas?! O POVO PORTUGUÊS, porque elegeu um primeiro-ministro que tinha como tarefa governar o país mas é um desgoverno; Sadam Hussein; os americanos; os britânicos ou os peritos que elaboraram o relatório. Importa agora saber quem está a mentir, esperando que o(s) autor(es) da(s) mentira(s) seja(m) responsabilizado(s) pela incapacidade que têm em falar a verdade. Como dizia hoje na antena 1, Miguel Sousa Tavares - os amigos também mentem -.
No próximo dia 15 de Outubro, vai acontecer o lançamento do livro português sobre blogs do Paulo Querido e do Luis Ene. Decidiram chamar-lhe Blogs. Estão de parabens porque veio em muito boa hora. O numero de blogs tem vindo a aumentar significativamente e certamente que esta edição vai despertar o interesse e atrair mais adeptos à comunidade de bloggers . Uma nota importante, esta iniciativa pode e deve abrir um espaço de debate em torno das vantagens desta «nova» ferramenta e a agilidade com que imprudentemente se pode tornar ofensiva.
Sejam bem-vindos ao Adorno. Sim é novo mas não é melhor que outros. A natureza do Adorno, começa por ser aquilo que cobiço. Vão encontrar aqui divagações, sempre dentro do melhor espirito e sobre quase tudo.
O Adorno é de todos por isso é livre de estética.