Disse a palavra uma só vez. Mas de tal modo lha aplaudiram, que lha repetiram indifinidamente. Assim a não pôde dizer segunda vez, porque era já um lugar-comun.
in Vergílio Ferreira, 361
A recente iniciativa do Jornal Publico, de editar um dos grande clássicos da história dos quadradinhos "As aventuras de Tintin", traz-me boas recordações. E merece o reconhecimento de todos os leitores. Quem não se lembra dos tempos de infância: do fox terrier de estimação Milou, capitão Haddock e do jovem repórter. Figuras que ganhavam vida através dos fantásticos desenhos criados por Hergé.
Aquilo a que assistimos, sem sermos convidados, em muitos órgãos da comunicação social é um bom exemplo de vaidade. É assim que a noticia quando tratada por jornalistas comuns e pelos inevitáveis editores medíocres, acaba por assumir um aspecto apenas decorativo «Adorno» abdicando do respeito por um dos princípios fundamentais do jornalismo: a informação séria, sem a popularização, a que nos querem habituar. O que seria de esperar!
Sou incapaz de prever se este governo da notícia será um êxito ou um fracasso. É possível ser uma e outra coisa, mas o que mais nos salta aos olhos é a facilidade do discurso que conduz de uma forma ainda mais fácil à cadeira do poder. O problema julgo eu e mais seis milhões e meio de pessoas um tanto ou quanto esclarecidas faz-se sentir no poder da comunicação social e na consequência desse poder. Quem no futuro vai responder quando a noticia surgir através do discurso fácil sem argumentos, mesmo que a opção seja outra coisa qualquer.
Sejam bem-vindos ao Adorno. Sim é novo mas não é melhor que outros. A natureza do Adorno começa por ser aquilo que cobiço. Vão encontrar aqui divagações, sempre dentro do melhor espirito, sobre quase tudo.
O Adorno é de todos por isso é livre de estética.