outubro 19, 2003

Todas as Noites

Naquela noite o que me chamou a atenção foram os pés descalços que descansavam sob o cartão frio e não o sofrimento a que estou habituado a ver estampado nos rostos que se cruzam todas as noites. Na verdade um pouco mais tarde ainda ali estava. As palavras entorpecidas, quase não chegavam ao seu destino, estava frio, ir embora não dependia de mim, nunca sabemos quando partimos. Até que de repente num tom belicoso, se ouve: -Estou farto de esperar... não diga mais o meu nome homem de deus. Disse um deles em discurso directo. E continua -A minha alma assim não consegue encontrar sossego.
Cada noite torna-se diferente, no burgo aos encontrões ofereço as minhas palavras a homens e mulheres, pois mais nada posso oferecer, não é permitido. Na rua as palavras bem ditas não têm valor.

Publicado por Adorno em outubro 19, 2003 11:23 PM
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